Os dados constam do Sumário Executivo dos Relatórios Anuais para 2024 do Instituto dos Comportamentos Aditivos e Dependências(ICAD), que agrega informação de inquéritos e barómetros realizados nos últimos anos em Portugal e na Europa sobre consumos e dependências, e que é hoje apresentado na Assembleia da República.
"Entre 2021 e 2024, verificou-se uma tendência de aumento da utilização da internet para a aquisição destas substâncias, com exceção da cannabis", lê-se no relatório, que revela que 27% dos consumidores recentes de novas substâncias psicotrópicas (NSP) adquiriram estas substâncias na internet, na "darknet", através das redes sociais ou de aplicações de mensagens, sendo menor a percentagem de consumidores que utilizaram estes canais para adquirir outras drogas, como a cannabis, o ecstasy ou a cocaína.
Quanto ao tráfico de droga, o relatório do ICAD aponta a posição de Portugal como país de trânsito em rotas com origem na América Latina e no Norte de África, sublinhando que "surgiram desafios adicionais" no combate ao tráfico, devido à infiltração de organizações nos portos e aeroportos nacionais, principais pontos de entrada, e à utilização de lanchas rápidas para o transporte e transbordo de droga em alto mar.
"Para além do tráfico em grande escala, verifica-se também uma maior utilização das redes sociais e dos sites da deep e dark web para encomendar droga que chega ao consumidor final por via postal. A isto acresce o aumento de actos de violência entre pessoas associadas ao tráfico de droga", acrescenta o relatório.
Nas questões de acessibilidade, o ICAD aponta a descida do preço do haxixe em 2024 e a subida dos preços da cocaína e da heroína, destacando ainda que o grau de pureza das drogas apreendidas em 2024 aumentou, com exceção da heroína.
Relativamente aos crimes de tráfico de estupefacientes, o ICAD dá conta de 6.871 suspeitos identificados em 2024 (29% como traficantes e 71% como traficantes-consumidores), dos quais 4.820 (70%) foram detidos.
Dos 930 processos criminais concluídos em 2024 no âmbito da Lei da Droga, envolvendo 1.450 pessoas, 80% foram condenados, e as decisões "envolveram predominantemente penas suspensas (60%), seguidas de prisão efectiva (35%)".
No último dia de 2024, estavam presas 1.919 pessoas ao abrigo da Lei da Droga, "o número mais elevado dos últimos sete anos", a maioria das quais condenadas por tráfico.







