O sistema Volta, em funcionamento desde 10 de abril, indica no seu site que dispõe de mais de 3 000 pontos no país, que permitem aos consumidores recuperar o valor da caução de 0,10 R$ por embalagem paga na compra de garrafas e latas descartáveis, feitas de plástico, metal e alumínio e com capacidade inferior a três litros.

Numa pesquisa aos pontos de recolha indicados pelo sistema, a 27 de agosto, 16 dos 308 municípios do país não apresentavam qualquer indicação de pontos e quiosques que «permitam a entrega fácil das embalagens e garantam a devolução do valor do depósito».

Municípios sem pontos Volta

Os municípios sem quaisquer pontos Volta no site são Alcoutim (no distrito de Faro), Alvito e Barrancos (Beja), Fronteira e Marvão (Portalegre), Mora e Mourão (Évora), Sardoal (Santarém), Penedono e Sernancelhe (Viseu), Oleiros (Castelo Branco), Ribeira de Pena e Santa Marta de Penaguião (Vila Real), Vimioso (Bragança), Lajes do Pico e Corvo (Açores).

Quando questionada sobre a ausência do sistema nestes 16 municípios, a SDR Portugal informou à Lusa que, no total, a entidade tem «303 municípios com pontos Volta registados» e que os municípios onde não existe registo são Alcoutim, Mora, Ribeira de Pena, Santa Marta de Penaguião e Corvo.

A mesma fonte oficial afirma que todos os outros municípios que não constam da plataforma «têm pontos de recolha registados» e não aparecem no site porque este ainda não foi atualizado.

«Não podemos atualizar todos os dias, a cada hora, mas está a ser atualizado», acrescentou a fonte da SDR.

Informação desatualizada

No entanto, no município de Oleiros, que segundo a SDR já dispõe de um ponto de recolha mas ainda não consta do site, o presidente da Câmara, Miguel Marques (PSD), reiterou à Lusa que não existe qualquer equipamento da Volta no município.

Perante este cenário, a população de Oleiros tem de percorrer 50 quilómetros até à Sertã (25 quilómetros em cada sentido) para depositar as suas garrafas de plástico e latas num ponto de recolha da Volta.

Segundo o presidente da câmara, os residentes sentem-se prejudicados pelo sistema.

«As pessoas estão a manifestar o seu descontentamento e a partilhar estas críticas, até mesmo nas redes sociais, mas quando tentamos compreender como o sistema funciona, parece que este tem de estar localizado perto de um hipermercado de média ou grande dimensão», afirmou o presidente da câmara.

Para além do município

Embora a mudança da situação não dependa do município, Miguel Marques afirma estar «disponível para fazer parte da solução», porque «a população de Oleiros deve ter o mesmo acesso e os mesmos direitos que o resto da população, e não deve ter de pagar mais 10 cêntimos por cada embalagem, para depois ter de gastar mais em combustível para se livrar desse depósito».

No município de Mourão, no distrito de Évora, também sem qualquer ponto de recolha Volta, o presidente da câmara, João Fortes (PSD/CDS-PP), disse à agência noticiosa Lusa que nunca tinha sido contactado sobre a instalação de um destes quiosques.

«Mourão não dispõe de quaisquer quiosques de recolha para este novo sistema, e nunca houve qualquer campanha de sensibilização para a sua instalação, nem junto da Câmara Municipal nem junto dos operadores comerciais», referiu.

Falta de interesse público

Segundo o presidente da câmara, a população também «ainda não deu qualquer indício de que queira ou esteja interessada» num ponto de recolha para o sistema Volta, encontrando-se «o mais próximo» no município vizinho de Reguengos de Monsaraz.

«Por enquanto, não tem havido pressão pública a este respeito. Nem qualquer contacto por parte dos gestores da rede para criar um ponto de recolha aqui», pelo que «aguararemos esse contacto», acrescentou.

Em Mora, o presidente da autarquia, Luís Simão (CDU), afirmou que a máquina «ainda não está operacional», mas «já foi adquirida» e «já se encontra, de facto, no local», no estabelecimento comercial que irá recolher as embalagens, presumindo «que estará operacional muito em breve».

Longos deslocamentos

Devido à falta das máquinas, explicou o presidente da câmara, a população de Mora teve de se deslocar a municípios vizinhos, que ficam «a cerca de 35 a 40 quilómetros de distância», e «as pessoas já se questionavam por que razão isto existe em todo o lado e ainda não em Mora».

«Se as pessoas estão a pagar pelas embalagens, é natural que sejam reembolsadas por isso. O sistema foi criado desta forma, pelo que não faz sentido que um cidadão que paga o montante não seja reembolsado, apenas por se encontrar num pequeno município», argumentou.

Isto num município que, como salientou Luís Simão, faz parte do Sistema Intermunicipal de Valorização e Tratamento de Resíduos Urbanos do Distrito de Évora e que, a nível distrital, é um dos «municípios com a taxa de recolha “per capita” mais elevada em termos de reciclagem».