O fundador do The Sovereign Group, uma das maiores empresas privadas de consultoria fiscal do mundo, encontrou a sua verdadeira missão na filantropia e na arte. Radicado em Portugal desde 2020, Bilton trouxe consigo a Sovereign Art Foundation, uma organização que utiliza o mercado da arte não só para descobrir talentos, mas como motor de transformação social. Nesta entrevista, Bilton explica como a arte pode reabilitar crianças vítimas de traumas profundos, o seu compromisso com a transparência total e porque decidiu que Portugal seria o próximo grande capítulo desta viagem solidária.
The Portugal News (TPN): Pode começar por se apresentar e explicar a origem da The Sovereign Art Foundation?
Howard Bilton (HB): O meu nome é Howard Bilton. Nasci na "República Popular Independente de Yorkshire" e sou filho de um criador de porcos.
Naturalmente, acabei por me tornar um advogado fiscal - acho que todos os filhos de criadores de animais acabam por se tornar advogados, não é? Fundei o The Sovereign Group em 1987, em Gibraltar, e atualmente empregamos 600 pessoas em 20 jurisdições. Em 2003, quando vivia em Hong Kong, decidi transformar o meu entusiasmo "maníaco" por colecionar arte numa forma de angariar fundos para causas sociais. Foi assim que nasceu a Sovereign Art Foundation (SAF).
TPN: Como funciona o Prémio de Arte da Fundação?
HB: Funciona através de um sistema de nomeações independentes. Trabalhamos com curadores, diretores de museus e críticos de arte de toda a região - da Ásia Central à Austrália - que nomeiam os melhores artistas contemporâneos. Temos critérios rigorosos: os artistas têm de ter representação numa galeria e uma carreira estabelecida. Recebemos cerca de 400 candidaturas, que são avaliadas por um júri até chegarmos a 30 finalistas. Estas obras são depois expostas publicamente e o vencedor recebe um prémio de 35.000 dólares.
TPN: A fundação expandiu-se recentemente para Portugal. O que motivou esta mudança?
HB: Mudei-me para Portugal em 2020 e queria dar algo em troca ao meu novo país. Aplicamos o mesmo modelo de sucesso aqui, mas aqui e de forma única temos um profissional e um com um foco especial no Prémio Escolar. O nosso objetivo a longo prazo em Portugal é chegar a todas as crianças que precisam de terapia através da arte. Já temos centros no Algarve, Lisboa e Estremoz.
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TPN: Como é que a arte é utilizada para ajudar crianças em contextos vulneráveis?
HB: A arte é uma ferramenta terapêutica para crianças com dificuldades mentais ou comportamentais, ou vítimas de traumas graves. No Camboja, por exemplo, trabalhamos com crianças vítimas de abuso sexual. A arte é incrivelmente poderosa porque permite à criança exprimir o que não consegue verbalizar. É o início de um processo de cura que lhes permite regressar à educação formal e quebrar o ciclo da pobreza. Temos resultados incríveis de crianças que passaram pelos nossos programas e algumas delas são agora professoras nos nossos centros.
TPN: A fundação reivindica 100% de eficiência na utilização dos donativos. Como é que isso é possível?
HB: Esta é uma questão fundamental. Muitas instituições de caridade gastam uma grande parte do que recebem na administração. Na SAF, todos os custos administrativos e salários são pagos pelo The Sovereign Group. Isto significa que se alguém doar um euro, esse euro é inteiramente gasto em projectos sociais. É 100% eficiente, o que é muito raro.
TPN: O seu projeto de vinhos, Howard's Folly, também faz parte deste ecossistema?
HB: Sem dúvida. Eu nunca teria feito vinho se não estivesse ligado à fundação. Todos os rótulos da Howard's Folly apresentam obras de arte, feitas pelas crianças que apoiamos ou por artistas ligados à SAF. Além disso, contribuímos financeiramente: oferecemos vinho para eventos e fazemos promoções em que 20% do valor das vendas reverte diretamente para a fundação.
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TPN: No final de 2026, vai realizar-se uma importante exposição em Lisboa. O que é que podemos esperar?
HB: Entre 24 de novembro e 12 de dezembro, os finalistas do Prémio Profissional e do Prémio Escolar estarão na Sociedade Nacional das Belas Artes, em Lisboa. Durante a exposição serão anunciados os vencedores dos vários prémios. Para o prémio profissional, temos o prémio do júri, o prémio da mulher e o prémio do voto do público. Para o prémio escolar, temos um prémio do júri e um prémio de voto do público.
Haverá também uma exposição que decorrerá de 1 a 6 de junho em Silves, no Espaço JALI, e que passará depois para a galeria da adega Howard's Folly, em Estremoz, com inauguração prevista para 1 de agosto e até 31 de outubro.
Gostamos de dar uma votação ao público porque obriga as pessoas a olharem para a arte com atenção e a estudarem a obra, em vez de passarem apenas dois minutos pela sala. É uma forma de envolver a comunidade na nossa missão.
Para Howard Bilton, a filantropia não é um ato de vaidade, mas uma necessidade pragmática. Através da fusão entre o rigor do mundo dos negócios e a sensibilidade do mundo da arte, a Sovereign Art Foundation continua a provar que a criatividade pode ser a chave para desbloquear o futuro de milhares de crianças. Seja através de um quadro numa galeria de Lisboa ou de uma garrafa de vinho produzida na região do Alentejo, o convite de Bilton continua a ser claro: o problema está à nossa porta e todos temos o poder de fazer algo para o resolver.

