Os trabalhos de restauro, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), envolveram um investimento total de 450 000 €, incluindo um contrato de construção no valor de 200 000 €, de acordo com dados fornecidos à agência noticiosa Lusa pelo Património Cultural, Instituto Público (IP).

O restante do investimento foi destinado à restauração de artefactos do tesouro da igreja, à publicação de uma monografia sobre a história do edifício e a iniciativas de promoção cultural.

Obras de construção

As obras de construção abrangeram trabalhos de conservação, reabilitação dos pavimentos, melhorias na ventilação, restauro da alvenaria e novas condições de utilização do espaço.

A igreja foi mandada construir por Vasco da Gama na sua cidade natal, Sines, para cumprir um voto de gratidão pelo sucesso da sua viagem marítima de 1498 à Índia.

«Uma coisa que perdurará é esta igreja restaurada, o edifício mais importante que ele [Vasco da Gama] nos legou», afirmou o arquiteto Ricardo Pereira, da Câmara Municipal de Sines, à Lusa durante uma visita ao local.

Para a arquiteta Rita Vale, da Património Cultural, esta intervenção também «encerra um ciclo» de trabalhos anteriormente realizados na igreja.

«Está agora totalmente restaurada», afirmou, destacando a «conservação e restauro do portal e da alvenaria» do edifício.

Materiais adequados

Segundo Rita Vale, o projeto utilizou «os materiais mais adequados» para responder à localização específica do edifício e resistir à «erosão e às alterações» a que este foi sujeito «ao longo dos anos». No âmbito da renovação, foi necessário substituir o antigo pavimento cerâmico, assente sobre areia durante um projeto na década de 1940, por um pavimento de pinho assente sobre uma «camada de ar ventilada para combater a humidade», explicou Ricardo Pereira.

Classificado como Monumento Nacional, o templo foi alvo de uma restauração no âmbito das comemorações do 500.º aniversário da morte do navegador, nascido em Sines.

Para Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Sines, autarquia responsável pela gestão do bem, esta intervenção é «fundamental a vários níveis».

«Em primeiro lugar, porque estamos a preservar um património que pertence a todos; e, em segundo lugar, numa perspetiva turística, servirá como um atrativo adicional para os visitantes, para além do seu papel como local de culto», afirmou o presidente da Câmara, sublinhando que isto representa «um investimento público bem executado».

Na sequência da renovação, Rita Vale defendeu a necessidade de estabelecer um plano de manutenção e monitorização em coordenação com o município:

«Já durou 500 anos; queremos que dure, pelo menos, mais 500», afirmou.

Para além da restauração do pavimento, dos rebocos, da cobertura, da alvenaria, dos sistemas de drenagem e dos retábulos, o projeto incluiu a instalação de uma casa de banho integrada na arquitetura do edifício.

Novo altar

Foi também instalado um novo altar, projetado pelo arquiteto Vítor Mestre e com elementos criados especificamente para o espaço, tais como um frontal de linho bordado, bem como obras contemporâneas das artistas locais Andreia Gil e Tânia Gil.

«A intervenção contemporânea é absolutamente essencial para que possamos deixar aqui uma marca construtiva» e envolver as novas gerações na vida do templo, sublinhou Ricardo Pereira.

O interior do monumento apresenta ainda 12 painéis de azulejos, que foram igualmente restaurados, contendo «referências ao mundo atlântico e ao Império português, incluindo a representação de um indígena brasileiro», explicou.

«O grande elemento patrimonial, o nosso grande elemento histórico, é o mar», e «o mar explica quase tudo» o que acontece neste território, observou o arquiteto.

A reabertura da igreja ao público está prevista para julho, embora ainda não tenha sido anunciada uma data específica.