«Outro aspeto em que estamos a trabalhar é a transformação das unidades existentes em Unidades de Saúde da Família, reorganizando-as, porque isso atrai médicos de família», explicou Inês Rosendo após uma reunião de trabalho com responsáveis locais da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, em Alvaiázere, na qual esteve presente juntamente com o presidente da ULS.
Rosendo referiu que «estão em curso reuniões para que as equipas desta região se tornem Unidades de Saúde da Família».
«Algumas já o são; há unidades em Figueiró [dos Vinhos], Alvaiázere e Ansião, mas Castanheira [de Pera] e Pedrógão Grande eram as duas que não dispunham de um quadro completo de médicos, pelo que nem sequer podiam avançar com este tipo de unidade», esclareceu ela.
Segundo a responsável da ULS, estas localidades estão motivadas para criar USFs «porque isso atrai médicos para a região».
«E não têm de ser os mesmos médicos durante 30 anos. Quando alguns partem, outros chegam; o importante é ter sempre médicos de família nesta região», sublinhou, referindo que as USF, «devido à sua organização e aos incentivos que oferecem, encorajam as pessoas a ficar».
Entretanto, o presidente da ULS de Coimbra, Francisco Maio Matos, destacou que foi alcançada a cobertura total por médicos de família.
«Ainda temos alguns reajustes nas listas, pelo que pode haver algum doente que ainda não esteja atribuído a uma lista específica», admitiu, especificando que estão «em processo de reorganização». No entanto, acrescentou que o atual «quadro de recursos humanos» permite à ULS de Coimbra «assegurar a cobertura a todos» os doentes, algo que não acontecia «há décadas». Reconhecendo que a retenção destes profissionais constitui outro desafio, Francisco Maio Matos considerou que estes permanecem porque o projeto de medicina geral e familiar da ULS «é inspirador, ambicioso e voltado para o futuro».
«Uma das coisas que fizemos de forma diferente no que diz respeito a este projeto de atração e retenção de talentos foi não nos envolvermos em guerras de ofertas. (…) Apresentámos contextos geográficos e dinâmicas regionais, em vez de nos concentrarmos em quem oferece mais dinheiro para garantir um médico», observou.
Segundo a responsável, o objetivo é encontrar «pessoas que procurem a ULS de Coimbra por um projeto orientado para o futuro», como aquelas interessadas em realizar investigação ou em prosseguir ambições académicas.
Inês Rosendo acrescentou que «tornar estas localidades atrativas para novos médicos de família tem a ver com estes fatores: os médicos sentirem que podem fazer mais, ao mesmo tempo que sentem que estão num local onde fazem a diferença e podem realmente ajudar.»
A 1 de julho, a ULS Coimbra anunciou que tinha alcançado a cobertura total de médicos de família para mais de 450 000 doentes registados na sua área de serviço.
«Esta é a primeira vez que a ULS Coimbra consegue preencher todas as vagas em aberto de médicos de família», afirmou a organização. Abrange 21 municípios da região Centro, com 461 971 doentes registados nos cuidados de saúde primários a 31 de maio.
Estavam em causa 17 vagas de medicina de família em 10 municípios; todas elas foram preenchidas.
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria é composta por Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
A Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós fazem parte da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria.







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