O programa «Mais Saúde nas Freguesias de Vinhais» atribui 300 € a cada junta de freguesia participante, o que representa um investimento anual do município superior a 93 000 €.
«Devido à dimensão do nosso município, que é muito extenso e também envelhecido, a área da saúde é sempre uma área fundamental e o que se pretende, com este serviço de proximidade e com o aumento deste montante, é que as juntas de freguesia tenham maior capacidade (…) seja na prestação de cuidados de enfermagem, seja na distribuição de medicamentos», afirmou o presidente da câmara, Luís Fernandes, em declarações à Lusa.
Segundo o município, cada freguesia poderá «identificar as suas prioridades e desenvolver iniciativas adaptadas à realidade local».
«Na área da saúde, as juntas de freguesia poderão definir quais, digamos, os serviços que pretendem, o que é mais necessário, o que consideram ser mais prioritário. Há conselhos paroquiais que já dispõem de serviços de enfermagem, de fisioterapia; outros têm até um médico que lá vai uma vez por mês ou de duas em duas semanas», explicou Luís Fernandes, salientando que o protocolo poderá até variar de paróquia para paróquia, cabendo aos municípios definir o que pretendem.
A Câmara Municipal e os conselhos paroquiais participantes irão assinar o protocolo até ao final do ano, e este poderá abranger mais de 4 000 pessoas que vivem nas aldeias do município.
«O que pretendemos com este serviço comunitário é, por vezes, resolver situações ou ajudar em casos específicos, e também ajudar a identificar certos aspetos a nível de saúde, para quase diagnosticar algumas situações que possam depois ser encaminhadas. O enfermeiro, ao atender algumas pessoas, por exemplo numa localidade, pode ele próprio identificar uma situação que exija outro tipo de intervenção, ou uma consulta com alguma urgência, ou algum exame», sublinhou.
Este programa visa também estabelecer parcerias com outras entidades, como o centro de saúde de Vinhais e a Unidade Local de Saúde do Nordeste, num município onde «todos têm um médico de família», segundo o presidente da câmara.
Ainda assim, o presidente da câmara queixou-se da extensão do horário de atendimento no centro de saúde de Vinhais, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h00 às 22h00, e aos fins de semana, das 9h00 às 22h00.
«O que pretendíamos não era até à meia-noite, mas sim 24 horas (…) pelo menos em determinadas alturas do ano. Compreendo que faça sentido que os centros de saúde nos grandes centros urbanos estejam abertos durante mais tempo em períodos de vacinação ou surtos de gripe. Porque é que não haveria de ser assim aqui?», questionou.
Luís Fernandes também defende mais recursos de diagnóstico no centro de saúde, tais como testes e exames, o que «nos permitiria descongestionar os serviços de urgência dos hospitais».
Quando os doentes deste município precisam de fazer exames, têm de se deslocar a Bragança, a capital do distrito, onde se situa o hospital mais próximo, a 35 quilómetros de distância, o que implica um tempo de viagem entre 40 e 45 minutos.
«Sabemos que, muitas vezes, olhamos para isto através de números, através de estatísticas, mas a saúde não pode ser vista dessa forma; uma pessoa é uma pessoa e deve ser vista de uma forma diferente. O município está aqui a substituir algo que não é da sua competência (…), mas fazemo-lo, e continuaremos a fazê-lo, porque compreendemos bem a importância que isto tem e, por isso, todas as medidas que pudermos tomar para ajudar, continuaremos a tomá-las, sem deixar de reivindicar as outras que nos parecem importantes e que, por vezes, nem sequer envolvem valores financeiros tão substanciais», concluiu.
O município de Vinhais concede também um subsídio diário de 50 € para alojamento e 15 € para refeições aos médicos que prestam consultas abertas no centro de saúde, bem como um apoio de 200 € para o pagamento da renda aos médicos que se fixarem no município.








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