«Isto está a ultrapassar todos os limites. Se tentarem arrastar o Livre para este tipo de confusão, então teremos de recorrer aos tribunais, se for necessário. O Livre não é suscetível à desonestidade, o Livre não está a entrar no jogo de procurar atenção», advertiu Rui Tavares, numa conversa durante o evento de regresso às aulas do partido, «Os Setembristas», que teve lugar no Porto.

À margem da iniciativa, em declarações à Lusa, Rui Tavares afirmou que André Ventura parece estar «muito nervoso porque cada vez mais pessoas se apercebem de que a história sobre o gabinete está muito mal contada e tem muitos indícios de ser uma espécie de autogolpe».

«Não sei se é ou não verdade, mas a entrevista que ele concedeu, na qual, a certa altura, lança ao PSD ou ao Livre a possibilidade de que talvez tenham sido eles e nós que entrámos no gabinete, merece uma resposta muito firme», argumentou.

Acusando o presidente do Chega de ser um «inventor compulsivo que inventa qualquer história para chamar a atenção», o antigo porta-voz considerou que Ventura «não tem o direito de arrastar o Livre» nem mesmo o PSD «para esta confusão».

«Da nossa parte, deixámos isso muito claro: esta é uma mensagem para que ele pare e desista de o fazer. Porque, caso contrário, iremos obviamente recorrer aos tribunais e poderemos tornar-nos partes no processo que terá lugar devido à história do gabinete», acrescentou.

Esta semana, numa entrevista ao canal NOW, o presidente do Chega insinuou que o PSD ou o Livre poderiam ter responsabilidades na alegada invasão do gabinete de André Ventura no Parlamento, em julho.

«O deputado Hugo Soares [líder parlamentar do PSD], não sei, talvez tenha sido alguém do seu círculo que lá foi, porque está sempre a dizer que o Chega devia estar a falar sobre isto. Começo a pensar que foi o PSD ou o Livre que foi ao gabinete, porque estão sempre a dizer: “deviam estar a falar disto, deviam estar a falar disto”», afirmou André Ventura.