O espetáculo, que encerra as comemorações oficiais do bicentenário do nascimento do escritor - 16 de março de 1825 - é uma encomenda da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte(CCDR-N), com libreto de Eduarda Freitas e música de Fernando Lapa.
"A CCDR-N reconheceu a necessidade de assinalar o bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco no Norte, colmatando a lacuna deixada por outras entidades", disse hoje à agência Lusa João Ribeiro da Silva, chefe da divisão de Programação e Promoção Cultural da comissão.
Para isso, explicou, reuniu cerca de 40 parceiros, entre instituições públicas e privadas, para "construir um programa diverso, heterogéneo, multifacetado e transdisciplinar".
"Dezenas de eventos tiveram lugar durante 2025, culminando com a estreia da ópera 'Amor de Perdição', e continuando ao longo dos próximos meses. Foram iniciativas educativas, formativas e de criação artística, bem como inúmeras publicações, entre muitas outras, todas com o objetivo de promover Camilo, a sua vida e a sua obra", sublinhou.
A inspiração para a ópera é "Amor de Perdição", um dos romances mais conhecidos de Camilo Castelo Branco. Eduarda Freitas disse à Lusa que o objetivo não foi simplesmente transpor o livro de Camilo para o palco.
Segundo a libretista, são obras diferentes que contam a mesma história de amor de Teresa e Simão, sem seguir a ordem cronológica do livro, em que o jovem casal vive um romance proibido que culmina com a morte dos dois após perseguições, o exílio de Simão e a entrada de Teresa num convento.
"O que tentei fazer foi destacar mais os sentimentos do que as personagens em si", disse, explicando que, em palco, o coro assume o protagonismo, "que ora é a voz social, ora é um reflexo, ora é um sentimento, portanto assume várias personagens e caraterísticas ao longo da obra".
Estreia na ópera
Eduarda Freitas é ex-jornalista, fundou a agência criativa Inquieta e dedica-se à escrita de peças de teatro, estreando-se na ópera em 2021 com o libreto "Mátria", seguindo-se "Aurora", "As Sombras de uma Azinheira" e o monólogo "22 Beijos".
"Mais do que o lado espetacular e brutal desta tragédia camiliana, interessou-me desde o início a estilização da narrativa proposta pelo libreto", afirmou o compositor Fernando Lapa.
Lapa explicou que "a partir daí a obra desenvolve-se de forma simples, numa tentativa de interpretar o mundo interior das personagens, apostando tudo na singularidade e autenticidade de cada figura".
"As vozes estão sempre no centro de tudo, sem véus ou disfarces, indefesas, e o coro, como ponto de equilíbrio, como uma tragédia grega", acrescentou.
A peça é dirigida por Ángel Fragua, com direção musical de Jan Wierzba, desenho de luz de Cárin Geada, e interpretada por Raquel Mendes (soprano), Paulo Lapa (tenor) e Inês Constantino (mezzo-soprano) com o Moços do Coro e o Oniros Ensemble.
A criação e produção são da Inquieta, com coprodução do Teatro de Vila Real.
A estreia tem lugar a 13 de março, com sessões agendadas para 14 e 15 de março.







