Lula da Silva obteve 63 388 523 votos, contra os 59 099 143 de Flávio Bolsonaro, com 98,76% das mesas de voto apuradas.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de esquerda, e antigo sindicalista foi reeleito aos 80 anos, tendo revertido uma desvantagem de mais de dois milhões de votos em relação ao primeiro turno.
No primeiro turno, realizado a 4 de outubro, o candidato de direita Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, o que lhe conferiu uma vantagem de 2 224 965 votos. Desde que o Brasil introduziu o sistema de eleições presidenciais em dois turnos, em 1989, nenhum candidato que terminasse em segundo lugar no primeiro turno tinha conseguido vencer a eleição.
Movimentos estudantis
Imediatamente após a derrota no primeiro turno, uma mobilização sem precedentes, impulsionada pelos estudantes, espalhou-se por vários setores da sociedade e encheu as ruas das cidades de todo o Brasil em apoio à reeleição de Lula da Silva.
No último dia de campanha, Lula levou a esperança de uma reviravolta da orla marítima até ao coração de São Paulo, tingindo de vermelho a Avenida Atlântica, em Copacabana, e a Avenida Paulista. De acordo com estimativas do PT, que não foram verificadas de forma independente, as duas marchas reuniram 1,15 milhões e mais de dois milhões de pessoas, respetivamente, num esforço final para transformar o apoio nas ruas em votos.
No dia das eleições, 25 de outubro, antes de votar numa escola em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, berço da sua carreira política, Lula reconheceu a mobilização.
«O que o povo fez por mim nestes últimos dias é algo que não se pode retribuir. É uma enorme generosidade, carinho e amor, e ficarei eternamente grato pela forma como o povo se comportou», afirmou.
A campanha de Lula da Silva para a segunda volta foi marcada por uma forte mobilização nas redes sociais, nas ruas, através de manifestações organizadas por artistas e por meio de iniciativas lideradas por estudantes e movimentos sociais, com o objetivo de conquistar votos e combater a abstenção.
Na sequência do seu resultado desfavorável no primeiro turno, concentrou-se na defesa da democracia e do seu legado social, intensificou os ataques ao seu adversário e anunciou medidas económicas e laborais, num esforço para reverter o resultado.
Manifestações da direita
Flávio Bolsonaro combinou demonstrações de força nas ruas com uma forte aposta nas redes sociais, mobilizando influenciadores digitais e figuras como o deputado Nikolas Ferreira para alargar o alcance da campanha.
Conseguiu também o apoio de candidatos derrotados no primeiro turno, incluindo Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, que, em conjunto, receberam 5,34% dos votos válidos, bem como do ex-presidente Michel Temer e dos principais partidos políticos centristas do país.
Batalha nas redes sociais
A disputa estendeu-se também às plataformas digitais, com a campanha de Lula a acusar a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, de favorecer Flávio Bolsonaro.
A campanha recorreu ainda ao Tribunal Superior Eleitoral para exigir igualdade de tratamento para ambos os candidatos, denunciando restrições a contas, remoções de conteúdos e falhas nas ferramentas de inteligência artificial.
Mais de 158,7 milhões de eleitores estavam recenseados para votar a 25 de outubro em cerca de 564 000 máquinas de votação eletrónica espalhadas pelos 5 571 municípios do país, bem como em 186 cidades no estrangeiro, incluindo Lisboa, Porto e Faro.
Eleitores brasileiros em Portugal
Em Portugal, 134 797 eleitores brasileiros estão recenseados para votar, com secções de voto disponíveis apenas em Lisboa, no Porto e em Faro.
Destes, 78 883 eleitores estão recenseados em Lisboa, 47 676 no Porto e 8 288 no Algarve. Os eleitores brasileiros que residem noutros distritos ou cidades portugueses podem deslocar-se a uma das três cidades acima referidas para exercer o seu direito de voto. Ao registar-se para votar, cada eleitor é também informado da cidade para a qual deve deslocar-se a fim de exercer o seu direito de voto.
As eleições presidenciais no Brasil também deram origem a manifestações à porta das mesas de voto, o que provocou tensões entre os apoiantes de Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro. Um dos apoiantes menores de idade de Lula da Silva terá sido agredido por um apoiante de Flávio Bolsonaro.








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