“Há municípios que têm uma situação mais grave do que outros, no entanto, é uma preocupação geral dentro da região do Médio Tejo”, disse à Lusa Manuel Jorge Valamatos, acrescentando que a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo expressou ao Governo a sua vontade de aderir ao projeto piloto.

Os 11 municípios que compõem a CIM do Médio Tejo, no distrito de Santarém, assumiram uma posição conjunta após tomarem conhecimento da intenção do governo de lançar projetos-piloto para regular a densidade da espécie.

Problemas diferentes

Segundo Valamatos, que também é prefeito de Abrantes, os municípios, embora com problemas de diferentes dimensões, estão disponíveis para participar das medidas que possam ser desenvolvidas

.

“Estamos nos colocando à disposição do Governo para que o Médio Paraíba possa se juntar a esses programas-piloto”, disse.

O presidente da CIM disse que ainda desconhecia as medidas específicas, os territórios a serem cobertos e as regras do programa.

Quando a Lusa perguntou se a região do Médio Tejo está disponível para atuar como território piloto e colaborar na construção de um modelo que possa ser aplicado em outras regiões, Valamatos confirmou a abertura dos municípios para participarem neste processo.

“Mostramos nossa vontade de participar, de fazer parte da solução, e é isso que expressamos ao Governo e, obviamente, aos 11 municípios que estão disponíveis para colaborar nesta ação”, disse.

Projeto piloto

O Ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, anunciou recentemente que o governo está preparando um projeto piloto que prevê uma compensação financeira para cada javali morto em áreas onde uma população excessiva é identificada, e a quantidade, os territórios cobertos e as regras ainda não foram

divulgados.

A Lusa questionou o Ministério da Agricultura e Mar sobre a implementação da medida e a reivindicação da CIM do Médio Tejo, e aguarda uma resposta.

Em Mação, a Câmara Municipal e as associações de caçadores decidiram na quinta-feira preparar um plano para reduzir a população de javalis, com o município a admitir que financiaria medidas como apoio a matilhas e licenças de caça, e soluções para armazenamento e eliminação de animais abatidos.

Em Sardoal, a Câmara Municipal agendou uma reunião do Conselho Municipal de Caça com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e associações de caçadores para 29 de setembro, citando o que o prefeito, Pedro Rosa (PSD), descreveu como um aumento “exponencial” da população de javalis.

No município de Abrantes, Valamatos disse que a situação continua a mesma, com avistamentos ocasionais dos animais em áreas urbanas.

“As mesmas preocupações permanecem. Os avistamentos, mesmo em áreas urbanas, são ocasionais, é verdade, mas sempre levantamos essa preocupação”,

disse ele.

O prefeito explicou que o município tem trabalhado em estreita colaboração com associações de caça sob a jurisdição do ICNF para ajudar a controlar a espécie.

Dificuldades nas áreas urbanas

Em relação às dificuldades de intervir em áreas urbanas, onde a caça não é simplesmente uma opção, Valamatos disse que é necessário conhecer as medidas e estratégias específicas planejadas pelo governo

.

“Não conhecemos as medidas específicas a serem implementadas, mas sabemos que o governo [...] quer lançar programas piloto para controlar as populações de javalis, e estamos disponíveis”, afirmou.

O problema dos javalis vem sendo destacado há vários anos na região do Médio Paraíba, com danos às plantações agrícolas, aos animais se aproximando das aldeias e acidentes rodoviários relatados em vários municípios.

O ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) estima que a população de javalis seja atualmente de cerca de 300.000 animais em Portugal continental.