Numa conferência de imprensa realizada após a assinatura, o ministro da Defesa português, Nuno Melo, destacou projetos concretos que envolvem empresas e forças armadas de ambos os países, descrevendo a Alemanha como «um parceiro estratégico fundamental» e «um aliado de longa data» de Portugal.

«Esta não é apenas uma visita de cortesia; é uma visita de trabalho», sublinhou Nuno Melo, citando como exemplo a aquisição, pelo Exército Português, de 72 veículos blindados Boxer, num investimento superior a mil milhões de euros.

O acordo prevê também a produção e a manutenção dos veículos em Portugal, o que, segundo o ministro, demonstra «uma parceria estratégica que beneficia ambas as partes».

No setor espacial, Nuno Melo referiu-se ao projeto de criação de uma base de lançamento de satélites na ilha de Santa Maria, nos Açores, que descreveu como uma alternativa europeia. O ministro afirmou que estão em curso discussões entre a Força Aérea Portuguesa e empresas alemãs relativamente a esta iniciativa.

Na mesma conferência de imprensa, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, identificou o espaço como uma das áreas com maior potencial para o aprofundamento da cooperação entre os dois países.

«Vamos investir milhões nas comunicações por satélite», afirmou, acrescentando que o setor do armamento também tem «muitas ligações com Portugal».

Formação de pilotos

Nuno Melo destacou ainda as discussões sobre a formação de pilotos do F-35 em Portugal, no âmbito de uma parceria que envolve a Lufthansa Technik, e a cooperação no setor dos drones. Nesta área, referiu o investimento de uma empresa portuguesa em Munique e a utilização na Ucrânia de drones portugueses testados em condições de combate.

O ministro mencionou ainda os laços industriais em torno dos submarinos portugueses, construídos na Alemanha, e os contactos entre empresas de ambos os países em áreas como a inteligência artificial, a cibersegurança, os sistemas de comunicações e o setor aeroespacial.

A cooperação bilateral surge num momento em que Portugal está a rever a sua Lei de Programação Militar, sublinhou Nuno Melo, acrescentando que o país terá de reforçar as suas capacidades em várias áreas.

Investir na OTAN

O ministro defendeu ainda o reforço do pilar europeu de defesa da OTAN, argumentando que a Europa deve ser capaz de dar respostas mais robustas no atual contexto geopolítico. Portugal atingiu os 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimento na defesa pela primeira vez em 2025, recordou, sublinhando que o compromisso com esta meta remonta a 2014.

No que diz respeito à Ucrânia, Nuno Melo reafirmou o compromisso de Portugal com a formação militar, o fornecimento de equipamento e as contribuições financeiras, incluindo um investimento de 50 milhões de euros através do programa PEARL.

«Cada cêntimo que damos à Ucrânia em materiais, informação e equipamento não é uma despesa; é um investimento», afirmou, argumentando que o apoio a Kiev ajuda a proteger a democracia, a liberdade e o modo de vida europeu.

Reforço da coordenação

A declaração assinada pelos dois ministros prevê uma coordenação mais forte nas atividades militares e não militares, nomeadamente no desenvolvimento e produção de armamento, investigação, inovação e aquisição de equipamento, incluindo através da utilização de infraestruturas em ambos os países.

O documento abrange igualmente a cooperação em matéria de formação, exercícios e operações conjuntas, a partilha de informação estratégica e a identificação de ameaças nos domínios marítimo, terrestre, aéreo, espacial e cibernético. Portugal e a Alemanha pretendem ainda cooperar na proteção das rotas marítimas internacionais e contribuir para a sustentabilidade e as capacidades das forças ucranianas.

Ambos os países condenam a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, descrevendo-a como uma grave violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e reafirmam o papel da NATO como pedra angular da dissuasão e defesa coletivas e como pilar fundamental da segurança europeia e transatlântica.

Boris Pistorius destacou a relação de confiança entre os dois países, que, segundo ele, existe «há muitos anos».

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