A notícia de que esta comunidade acaba de realizar mais quatro investimentos em startups portuguesas é, por isso, mais uma boa notícia. Não apenas pelos investimentos em si, mas pelo que representam num país que precisa urgentemente de transformar mais conhecimento, inovação e capacidade tecnológica em empresas capazes de crescer e competir internacionalmente.

Lampsy, Intuitivo, Smashpro e UpSpeech são quatro empresas muito diferentes, que trabalham em áreas que vão da saúde à educação e ao desporto, mas têm algo importante em comum: nasceram a partir de problemas concretos e procuram resolvê los através da tecnologia, com ambição para crescer além das nossas fronteiras. A Lampsy desenvolveu uma solução baseada em inteligência artificial e visão computacional para detetar crises de epilepsia durante a noite. A Intuitivo utiliza tecnologia para reduzir a carga administrativa dos professores. A Smashpro criou uma plataforma de gestão para clubes de padel, ténis e pickleball. A UpSpeech está a aplicar inteligência artificial à terapia da fala. São bons exemplos da diversidade do talento que existe hoje em Portugal.

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Mas talvez o mais interessante seja o modelo que está por detrás destes investimentos. Em cerca de ano e meio, uma comunidade de 436 investidores analisou 124 startups, realizou 281 reuniões de trabalho e selecionou já 15 empresas, correspondendo a 75% do objetivo inicial de investir em 20 startups portuguesas de base tecnológica. Cada empresa recebe um investimento de 50 mil euros, mas recebe também algo que pode ser igualmente importante nesta fase: acompanhamento, mentoria e acesso aos contactos e à experiência dos membros da comunidade.

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É precisamente este tipo de iniciativa que considero que devemos valorizar e multiplicar em Portugal. Temos excelentes universidades, engenheiros, investigadores, gestores e empreendedores. Temos também portugueses espalhados pelo mundo com enorme experiência profissional, conhecimento de mercados e capacidade financeira. O desafio é criar mais pontes entre todas estas pessoas e aqueles que estão a começar novas empresas. Nem todos os projetos terão sucesso, naturalmente. Faz parte do investimento e faz parte da inovação. O importante é que exista um ecossistema onde boas ideias tenham oportunidade de ser testadas, financiadas e transformadas em empresas.

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Falamos frequentemente da necessidade de aumentar a produtividade, melhorar os salários e tornar a economia portuguesa mais competitiva. Tudo isso é verdade, mas nenhuma dessas transformações acontece por decreto. Acontece quando conseguimos criar empresas que desenvolvem tecnologia, propriedade intelectual e produtos capazes de chegar aos mercados internacionais. Por isso, quando 436 investidores decidem juntar capital, conhecimento e contactos para procurar e apoiar talento português, devemos prestar atenção. Investir nestas empresas é também investir no futuro da nossa economia.