«Estamos convictos de que um desenvolvimento sustentável, harmonioso e significativo assenta claramente na educação, no conhecimento e na investigação, mas, acima de tudo, numa investigação e num conhecimento próximos da realidade e capazes de ter um efeito de cascata positivo nas comunidades, nas instituições e nos indivíduos», afirmou Nuno Vaz à agência noticiosa Lusa.

Chaves, situada no distrito de Vila Real, acolhe a Escola de Hotelaria e Bem-Estar (EHB), uma das escolas do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), que está agora prestes a tornar-se a Universidade de Bragança e do Interior do Norte.

Esta transformação marca o regresso do ensino universitário à cidade, na sequência da decisão da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), sediada em Vila Real, de encerrar e reduzir progressivamente as atividades no seu campus de Chaves ao longo da década de 2010.

Nuno Vaz descreveu a decisão da UTAD como um grave erro, tanto para a própria universidade como para a região, argumentando que a instituição tinha «abandonado» Chaves e a zona do Alto Tâmega.

Para o presidente da Câmara de Chaves, a criação da Universidade de Bragança e do Interior do Norte, anunciada pelo primeiro-ministro no domingo, representa «o reconhecimento do trabalho frutífero, consistente e competente» que o IPB tem vindo a desenvolver.

Acrescentou que, para Chaves e para a região do Alto Tâmega e Barroso, onde o município se situa, este é um passo «muito importante», uma vez que proporciona «um aliado nos domínios do ensino superior, da investigação e da transferência de conhecimento».

«Um parceiro que pode, naturalmente, desempenhar um papel — e que, de facto, já desempenha um papel importante — na consolidação do ensino superior e de tudo o que isso implica, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento e à coesão social nestes territórios», afirmou.

Por todas estas razões, trata-se de uma «excelente notícia» que Nuno Vaz fez questão de saudar, ao mesmo tempo que felicitou toda a equipa do IPB, desde o presidente (agora reitor), Orlando Rodrigues, até ao corpo docente e aos investigadores.

O presidente da Câmara espera que a ligação do IPB à região, especificamente a Chaves e à região do Alto Tâmega, «se fortaleça ainda mais, produzindo resultados em termos de novos cursos, da capacitação dos jovens e das mudanças positivas que estes podem trazer às suas comunidades».

No início de agosto, a instituição passou de Instituto Politécnico de Bragança para Universidade Politécnica.

No entanto, em breve deixará de ser um politécnico para se tornar a Universidade de Bragança e do Interior do Norte, anunciou o primeiro-ministro Luís Montenegro no domingo, durante o seu discurso na 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.

A Universidade Politécnica de Bragança é composta por seis escolas: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola de Agricultura e a Escola de Tecnologia e Gestão (todas em Bragança); a Escola de Comunicação (em Mirandela); e a Escola de Hotelaria e Bem-Estar (em Chaves). A universidade acolhe cerca de 10 000 estudantes, 30 % dos quais são internacionais.

O campus de Chaves funciona atualmente em instalações provisórias disponibilizadas pelo município, enquanto se aguarda a construção de um edifício específico para a escola. Além disso, está em construção na cidade uma residência estudantil com 120 camas; o projeto está concluído em mais de 80 %, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e prevê-se que esteja concluído até ao final do ano.

A Escola de Hotelaria e Bem-Estar (EHB) funciona no âmbito do Laboratório Colaborativo AquaValor, que realiza investigação nas áreas das ciências da saúde e das ciências sociais e empresariais, centrando parte do seu trabalho nos recursos hídricos.