“As relações entre Portugal e os Estados Unidos, e entre os Açores e os Estados Unidos, nunca estiveram tão boas”, disse Devin Nunes, falando aos jornalistas em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, à margem de uma conferência organizada pelo eurodeputado açoriano Paulo Nascimento Cabral sobre o papel do arquipélago nas relações transatlânticas.

O ex-congressista republicano, de ascendência açoriana, citou exemplos de fortalecimento das relações entre os dois países: o aumento das conexões aéreas da companhia aérea norte-americana United Airlines para os Açores e a instalação de cabos submarinos ligando os EUA e Portugal que passam pelo arquipélago.

“Tudo isso começou há mais de uma década. Alguns dos trabalhos que fizemos no passado agora terão um grande impacto nos Açores e em Portugal”, ressaltou, referindo-se aos cabos submarinos

.

Devin Nunes reconheceu o papel da Base Aérea das Lajes, localizada na Ilha Terceira, na defesa do Atlântico e na cooperação entre Portugal e os Estados Unidos, mas argumentou que o país também poderia se destacar no desenvolvimento de tecnologia militar.

“Portugal é um país pequeno, mas ocupa uma localização importante e estratégica. Eu não tomo decisões em nome de Portugal. Eu só posso oferecer conselhos, e eles podem optar por aceitá-los ou não. Mas acho que é difícil para Portugal, dado seu tamanho, ter um exército, marinha, força aérea e força espacial... O que Portugal pode fazer é utilizar seus melhores empreendedores para produzir coisas que criarão empregos, engenhosidade, inovação e capacidade naval, e que ajudarão Portugal a proteger seus recursos”, observou

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O lusodescendente destacou a empresa Douro Azul, dirigida pelo empresário Mário Ferreira, e a empresa de drones Tekever, como exemplos de empreendedorismo e “tecnologia incrível”.

“Se Portugal tem capacidades navais e de drones, torna mais fácil para os Estados Unidos forjar parcerias e trabalhar com alguém que tenha uma localização estratégica e tecnologia de ponta”, enfatizou.

Quando questionado sobre a necessidade de rever o Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, Devin Nunes disse que não estava ciente das “mudanças que estão sendo consideradas”, mas voltou a destacar o progresso feito nas ligações aéreas e na colocação de cabos submarinos.

O republicano sublinhou que os políticos luso-americanos continuam a exercer uma influência “muito forte” no Congresso dos EUA.

“Há dez anos, tivemos problemas reais com o governo Obama sobre o que estava fazendo com essa base. Eu avisei ao Congresso que foi uma má decisão. E agora sabemos por que essa base e os Açores são tão importantes”, disse, referindo-se à retirada militar dos EUA na Base Aérea das Lajes, ocorrida

em 2015.