Portanto, a estimativa recentemente divulgada de que cerca de 200 milhões de euros de investimento direto em cabos submarinos poderiam ajudar a atrair mais de 10 bilhões de euros de investimento tecnológico e digital para Portugal merece atenção. Até o final de 2026, o país deverá ter 20 cabos submarinos conectados à sua costa. Não estamos apenas recebendo cabos. Estamos construindo uma posição estratégica em uma das infraestruturas mais importantes da economia digital global

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Nossa localização entre a Europa, as Américas e a África sempre foi uma vantagem geográfica. Durante séculos, nós o aproveitamos por meio de portos e rotas marítimas. Hoje, uma parte crescente dessa vantagem passa pelo fundo do Atlântico. Os cabos transportam dados, mas o valor econômico real está no que podemos construir em torno deles. Empresas de data centers, nuvem, inteligência artificial, telecomunicações, serviços digitais, pesquisa e tecnologia estão procurando lugares onde haja conectividade internacional, energia disponível e competitiva, infraestrutura adequada e capacidade de crescimento. Portugal cumpre muitas dessas condições, e os investidores internacionais estão claramente começando a reconhecer isso

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No final de setembro, terei a oportunidade de moderar dois painéis na Atlantic Convergence, em Lisboa, precisamente em duas dimensões que considero fundamentais nesta nova realidade. Um deles discutirá novos modelos de energia para data centers na era da inteligência artificial. A outra abordará o uso de ativos imobiliários para expandir e densificar infraestruturas digitais e de IA. Essas são discussões que mostram como energia, imóveis e tecnologia não podem mais ser analisados separadamente. A inteligência artificial precisa de uma enorme capacidade de computação; essa capacidade requer data centers; os data centers precisam de energia e conectividade; e tudo isso requer terrenos, edifícios, redes e processos de licenciamento capazes de acompanhar a velocidade do investimento

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Mas não basta que os investidores internacionais acreditem em Portugal. Também precisamos começar a acreditar mais nas vantagens do nosso país e, acima de tudo, aprender a aproveitá-las. Isso requer políticas nacionais mais eficazes, mas também exige muito mais conhecimento e capacidade de tomada de decisão em nível local. Muitas vezes, é nos municípios, no licenciamento e na interpretação de novas realidades econômicas que os projetos encontram dificuldades. Um município que analisa um data center apenas pelo prédio que será construído ou pelo número de empregos diretos dificilmente entenderá todo o ecossistema de investimentos que pode surgir em torno dele.

Os cabos estão chegando; a inteligência artificial continuará aumentando a demanda por capacidade de processamento, e o capital internacional está procurando lugares onde energia, conectividade, imóveis e estabilidade possam coexistir. Portugal tem uma oportunidade extraordinária de ocupar um lugar relevante nesta nova economia atlântica. A geografia já fez sua parte. Agora cabe a nós garantir que nossas políticas, instituições e tomadores de decisão, nacionais e locais, possam fazer as suas

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