E nem todas se parecem minimamente umas com as outras. Sintra é extravagante e romântica, com os seus palácios a surgirem entre colinas arborizadas e jardins. Óbidos está rodeada por muralhas medievais, enquanto Monsaraz se ergue no alto, acima das planícies do Alentejo, com o Lago Alqueva a estender-se ao longe. Em Piódão, as casas são construídas quase inteiramente em xisto escuro. Tavira é toda ela fachadas caiadas de branco, telhados de terracota e o rio Gilão, que corre lentamente.
Alguns locais desta lista são belos precisamente porque mudaram muito pouco. Outros, em particular a Nazaré, estão muito vivos e encontraram identidades totalmente novas sem perderem as tradições que os tornaram distintos desde o início.
O que têm em comum é um forte sentido de pertença ao lugar. São vilas pelas quais vale a pena abrandar o ritmo, em vez de as fotografar simplesmente pela janela do carro a caminho de outro destino.
Eis nove das cidades mais bonitas de Portugal
1. Sintra
Ideal para: palácios e romance Sintra não é propriamente um segredo, mas há uma razão para os visitantes continuarem a vir. Poucos locais em Portugal conseguem reunir tanta excentricidade numa área tão pequena.
No alto da vila, o Palácio Nacional da Pena ergue-se das colinas arborizadas numa combinação improvável de amarelo e vermelho, torres, cúpulas e detalhes decorativos. O rei D. Fernando II transformou as ruínas de um mosteiro neste local no século XIX, criando o que se tornou uma das obras mais emblemáticas do Romantismo português. A Paisagem Cultural de Sintra, no seu conjunto, é reconhecida pela UNESCO desde 1995.
Mas a Pena é apenas o começo. Há o Castelo dos Mouros, que se estende ao longo da crista, o Palácio Nacional no centro histórico e os jardins e a arquitetura fantástica da Quinta da Regaleira. Monserrate, um pouco mais afastada, vale o desvio tanto pelo seu palácio como pelos seus jardins extraordinários.
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A própria vila foi feita para passear, embora fique extremamente movimentada durante as horas de ponta. Fique até que os excursionistas comecem a regressar a Lisboa e Sintra revelará uma personalidade diferente.
Venha pelos palácios, mas reserve também algum tempo para apreciar a paisagem circundante. O nevoeiro, a floresta e as colinas de granito fazem parte do encanto de Sintra tanto quanto qualquer torre de cores vivas.
2. Óbidos
Ideal para: Ambiente medieval
Entra-se em Óbidos através das suas muralhas e compreende-se imediatamente o seu encanto. Casas caiadas de branco aglomeram-se ao longo de ruas estreitas de calçada, as buganvílias caem das varandas e um castelo medieval vigia tudo do alto.
A sua beleza foi cuidadosamente preservada, mas Óbidos não é simplesmente uma recriação decorativa do passado de Portugal. O povoado é anterior ao domínio romano e foi conquistado aos mouros pelo primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques. No século XIII, o rei Dinis ofereceu a vila à rainha Isabel, dando início a uma longa ligação com as rainhas de Portugal.
Hoje em dia, passear pelas muralhas proporciona algumas das melhores vistas sobre os telhados de terracota e a paisagem rural circundante, embora as secções estreitas e sem guardas exijam algum cuidado. Mais abaixo, a Rua Direita constitui a artéria principal da cidade, ladeada por pequenas lojas, cafés e inúmeras oportunidades para provar a ginjinha, o licor local de ginja, frequentemente servido numa pequena chávena de chocolate.
Óbidos é muito popular e pode ficar lotado no verão. No entanto, se chegar cedo ou ficar até ao fim da tarde, torna-se muito mais fácil perceber por que razão esta pequena vila fortificada continua a ser um dos locais mais fotografados de Portugal.
3. Monsaraz
Ideal para: vistas sobre o Alentejo e observação das estrelas
Há vilas no topo de colinas e, depois, há Monsaraz.
Situada no alto do Alentejo, perto da fronteira com Espanha, esta pequena vila fortificada tem vista para uma paisagem imensa de olivais, vinhas e as águas azuis do Lago Alqueva. Só a vista já é motivo suficiente para visitar este local.
Dentro das muralhas, tudo se torna maravilhosamente simples. Ruas estreitas de pedra serpenteiam entre casas baixas caiadas de branco, com detalhes em azul, amarelo e ocre.

Numa das extremidades ergue-se o castelo medieval, cujas origens remontam ao século XII. Noutro local encontram-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa, o antigo tribunal que agora alberga o Museu dos Afrescos e vestígios do histórico bairro judeu da vila.
Monsaraz constitui também um ponto de partida natural para explorar a região do Alqueva.
Esta parte do Alentejo é famosa pelos seus céus escuros, com uma poluição luminosa excepcionalmente baixa, o que torna a noite quase tão fascinante como o dia.
Não há uma lista enorme de coisas para fazer aqui, e é precisamente essa a ideia. Passeie pelas muralhas, encontre uma mesa para um longo almoço alentejano, observe a paisagem a mudar de cor ao pôr-do-sol e fique tempo suficiente para ver as estrelas a aparecerem.
Todas as recomendações contidas neste artigo baseiam-se na opinião editorial de especialistas. Se clicar numa ligação nesta publicação, receberemos uma comissão de afiliado.
4. Marvão
Ideal para: vistas do castelo
À distância, Marvão parece ter sido colocado no topo da sua montanha quase como um desafio.
O povoado fortificado ocupa um dos pontos mais altos da Serra de São Mamede, a apenas alguns quilómetros de Espanha. Encostas íngremes protegiam-no naturalmente em três lados, tornando a sua posição estrategicamente valiosa durante séculos. A vila deve o seu nome a Ibn Marúan, um líder muçulmano do século IX que utilizou o local como refúgio.
Hoje, esta posição defensiva tem um propósito mais alegre: vistas extraordinárias.

Ao percorrer o centro compacto, acaba por parecer que quase todas as ruas conduzem para cima, em direção ao castelo. Das suas ameias, o Alentejo desdobra-se lá em baixo, com a região fronteiriça espanhola ao fundo. Dentro das muralhas, casas caiadas de branco, portas góticas, pequenos jardins e ruelas estreitas tornam Marvão igualmente cativante ao nível do solo.
Vale a pena combinar a visita com a vizinha Castelo de Vide, enquanto a paisagem circundante de São Mamede torna este local um bom destino tanto para caminhantes como para amantes da história.
Não é preciso muito tempo para explorar Marvão, mas apressar-se acaba por contrariar o objetivo. Se puder, passe lá uma noite. Quando os visitantes partem e o anoitecer se instala sobre a montanha, a sua localização improvável torna-se ainda mais espetacular.
5. Piódão
Ideal para: O encanto da montanha
Piódão não se parece com quase nenhum outro lugar em Portugal.
Escondida na Serra do Açor, a aldeia surge de repente na encosta da montanha, com as suas casas de xisto bem juntas, dispostas quase como um anfiteatro. O Turismo de Portugal compara, de forma encantadora, o efeito a um presépio, especialmente à noite, quando as luzes começam a acender-se pela encosta acima.
O xisto está por todo o lado. Forma as paredes, os telhados e as ruelas estreitas, criando uma paleta de cinzentos e castanhos profundos, quebrada pelo azul vivo com que tradicionalmente são pintadas muitas janelas e portas. A destacar-se contra toda essa escuridão está a igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, de um branco resplandecente.
O isolamento de Piódão já foi um inconveniente. Hoje, faz parte do que torna a aldeia tão especial. A viagem sinuosa pela Serra do Açor dá a sensação de um afastamento gradual do Portugal moderno, e percorrer as suas ruelas íngremes revela pequenas casas engenhosamente encaixadas na paisagem.

Não pare na praça central e dê meia-volta. A paisagem rural circundante é excelente para caminhadas, e a vizinha Foz d’Égua, com pontes de pedra, água e casas antigas, é um destino fácil de incluir no percurso.
Chegar a Piódão exige um pouco de esforço. Essa é uma das razões pelas quais a vila manteve tanto do seu carácter.
6. Tavira
Ideal para: o encanto do Algarve
O Algarve não tem falta de vilas atraentes, mas Tavira conseguiu preservar algo que muitos destinos costeiros perderam.
O rio Gilão atravessa o seu centro por baixo de uma elegante ponte antiga, com edifícios caiados de branco e telhados de terracota a estenderem-se de ambos os lados. As torres das igrejas erguem-se acima da linha do horizonte e as ruínas do castelo proporcionam um miradouro arborizado com vista sobre a cidade.
A história de Tavira vai além do turismo moderno. A região foi importante na época romana e, mais tarde, tornou-se um povoado muçulmano conhecido como Tabira.

As forças cristãs conquistaram a cidade em 1242 e a sua localização conferiu-lhe, mais tarde, um papel importante durante a expansão marítima de Portugal.
O que torna Tavira particularmente atraente hoje em dia é o facto de a história não a ter transformado num museu. As pessoas fazem compras no mercado, os barcos de pesca continuam a trabalhar nas águas circundantes e as mesas dos restaurantes estendem-se pelas ruas e praças.
Depois, há as praias. Tavira situa-se junto à Ria Formosa, em vez de diretamente no Atlântico aberto, com barcos a transportarem os visitantes até às longas areias da Ilha de Tavira.
Para os viajantes que procuram umas férias no Algarve com acesso à praia, mas também um local genuinamente interessante para onde regressar para jantar, Tavira é difícil de superar.
7. Nazaré
Ideal para: O espetáculo do oceano
A Nazaré tem duas facetas.
Ao nível da praia, é uma das grandes vilas balneárias tradicionais de Portugal, com uma vasta faixa de areia em forma de meia-lua, restaurantes de marisco e uma cultura piscatória que continua a fazer parte da sua identidade. Se olhar com atenção, ainda poderá ver mulheres a usar as famosas sete saias tradicionais associadas à Nazaré.
Depois, apanhe o funicular até ao Sítio e tudo muda. Do topo da falésia, a vila e a praia estendem-se lá em baixo, enquanto mais a norte fica a Praia do Norte, o troço da costa atlântica que transformou a Nazaré num destino de surf mundial.

A razão está escondida debaixo de água. O Desfiladeiro da Nazaré, um enorme desfiladeiro submarino ao largo da costa, contribui para criar as ondas gigantes pelas quais a Praia do Norte se tornou famosa. Num dia de inverno propício, o farol do Forte de São Miguel Arcanjo transforma-se numa tribuna para observar alguns dos surfistas de ondas gigantes mais destemidos do mundo.
Mas seria um erro reduzir a Nazaré apenas ao surf. As suas tradições piscatórias são muito mais antigas, e o verão traz uma atmosfera totalmente diferente de férias na praia, peixe grelhado e passeios noturnos à beira-mar. Venha no inverno para ter a oportunidade de assistir ao espetáculo do oceano. Venha no verão para conhecer uma das cidades balneares mais carismáticas de Portugal.
8. Amarante
Ideal para: Beleza ribeirinha
Amarante parece ter sido construída em torno do seu rio.
O Tâmega atravessa o centro da cidade, refletindo fileiras de casas, árvores e os inconfundíveis arcos da ponte de São Gonçalo. Atrás dela ergue-se a igreja e o mosteiro de São Gonçalo, criando a paisagem que passou a caracterizar a cidade.
A ponte tem a sua própria história. A travessia neste local está há muito associada a São Gonçalo, o santo padroeiro de Amarante, enquanto a ponte atual é lembrada pela resistência montada pelas forças locais contra as tropas invasoras de Napoleão no início do século XIX.
Amarante situa-se entre as paisagens verdes do Minho e as montanhas de Trás-os-Montes, com a Serra do Marão a erguer-se nas proximidades. Essa localização coloca-a também ao alcance da região vinícola do Douro, tornando-a uma paragem apelativa numa viagem de carro pelo norte de Portugal.
Mas não é preciso fazer muito aqui. Caminhe ao longo do Tâmega, atravesse a ponte, explore as ruas históricas e acomode-se num café com vista para o rio.
E guarde espaço para algo doce. Amarante tem uma forte tradição de pastelaria conventual, embora algumas das criações mais famosas da cidade possam causar alguma surpresa quando se vê a sua forma decididamente anatómica.
Bonita, histórica e com um toque de irreverência na medida certa, Amarante merece mais atenção do que aquela que recebe.
9. Sortelha
Ideal para: Recuar no tempo
Se quiser conhecer o Portugal medieval sem as multidões de Óbidos, dirija-se para o interior, até Sortelha.
Situada num afloramento rochoso a cerca de 760 metros de altitude, esta vila histórica continua cercada por muralhas e dominada pelo seu castelo. As casas de granito parecem brotar diretamente das rochas subjacentes, com a paisagem e a arquitetura a fundirem-se quase numa só.

Ao entrar pelo portão gótico, há surpreendentemente pouco que interrompa a ilusão de ter recuado vários séculos no tempo. Procure o antigo pelourinho e a antiga Câmara Municipal, bem como as medidas esculpidas na pedra junto a um dos portões, outrora utilizadas pelos comerciantes medievais antes da normalização das unidades de medida.
O castelo fazia parte de uma rede defensiva que protegia esta região fronteiriça, mas o encanto de Sortelha reside hoje menos num único monumento e mais na integridade do local. Ruas de calçada sinuosas serpenteiam entre robustas casas de granito, enormes rochas emergem entre os edifícios e as muralhas abrem-se para vistas panorâmicas sobre a paisagem rural da Beira.
Sortelha é suficientemente pequena para ser explorada em algumas horas. Resista a essa tentação, se tiver tempo. Sente-se nalgum lugar, espere que as ruelas fiquem vazias e desfrute de uma das visões mais bem preservadas do passado medieval de Portugal.
Que vila portuguesa deve visitar?
Para uma primeira visita, Sintra oferece a maior concentração de atrações turísticas de destaque, enquanto Óbidos proporciona a experiência clássica de uma vila medieval fortificada.
Escolha Monsaraz para apreciar os pores-do-sol do Alentejo e os céus repletos de estrelas, ou Marvão para uma vista do castelo que o faz questionar-se como é que alguém conseguiu construí-lo.
Piódão é a escolha certa para paisagens montanhosas e algo completamente diferente em termos arquitetónicos. Tavira combina ruas históricas com umas férias de praia no Algarve, enquanto a Nazaré acrescenta a força bruta do Atlântico.
Amarante é ideal para uma viagem de carro descontraída pelo norte, e Sortelha é talvez a melhor escolha quando fugir das multidões é tão importante quanto o que se vê.
O problema com as belas vilas de Portugal não é encontrá-las. É que, sempre que pensa ter encontrado a sua favorita, surge outra na curva seguinte.









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