No entanto, para além dos elétricos de Lisboa, das praias do Algarve e da margem do rio no Porto, existe outro Portugal que recebe consideravelmente menos atenção. As cascatas perdem-se nas florestas do centro montanhoso do país. Pequenas aldeias de pedra agarram-se às encostas, onde os carros nunca fizeram parte do plano original. As praias fluviais situam-se ao pé de castelos medievais e, no Alentejo, é possível nadar num enorme lago antes de ver o pôr-do-sol por detrás de uma aldeia fortificada no cume de uma colina.
Alguns destes locais não são, de facto, segredos para os portugueses. São locais de banho, aldeias de montanha e refúgios de fim de semana que simplesmente ainda não alcançaram a fama internacional dos destinos mais badalados de Portugal.
Isso faz parte do seu encanto. Não encontrará um grande monumento à espera em cada paragem e, por vezes, não há muito para «fazer» além de passear, nadar, comer e observar os arredores. Mas é precisamente por isso que merecem um lugar no itinerário.
Só não contes a toda a gente.
1. Fraga da Pena, Serra do Açor
Ideal para: Uma cascata escondida na floresta
A Fraga da Pena parece ser o tipo de lugar que só se consegue descobrir depois de caminhar durante horas. Felizmente, não é preciso.
Escondida na paisagem protegida da Serra do Açor, perto de Benfeita, a água cai através de vegetação densa e sobre rocha de xisto, criando uma série de cascatas e poças. A área protegida mais ampla inclui também a Mata da Margaraça, um importante exemplo sobrevivente da vegetação nativa que outrora cobria uma área muito maior do centro de Portugal.
O sistema de cascatas atinge uma altura total de cerca de 70 metros, embora não se trate de uma única queda vertical enorme. A água desce por vários níveis, rodeada de vegetação que torna a zona particularmente acolhedora num dia quente de verão.
Créditos: Wikipédia;
A Fraga da Pena pode ser combinada com passeios pela Serra do Açor ou visitas às aldeias de xisto nas redondezas. Se for fora dos fins de semana de verão mais movimentados, ainda poderá haver momentos em que o som mais alto à sua volta seja o da água.
Nada mau para um local acessível sem necessidade de uma expedição.
2. Vale Glaciar do Zêzere, Serra da Estrela
Ideal para: Conhecer a Idade do Gelo de Portugal
Ao percorrer a Serra da Estrela, há uma paisagem em particular que parece suspeitamente pouco portuguesa.
O Vale Glaciar do Zêzere estende-se pelas montanhas perto de Manteigas, formando um grande U, cujas dimensões fazem muito mais sentido quando se percebe que foi esculpido pelo gelo e não pelo rio relativamente modesto que hoje por ele corre.
Os vestígios da última glaciação permanecem visíveis em todo o Geoparque Global da UNESCO da Estrela, incluindo vales glaciares, lagoas e rochas moldadas pelo movimento do gelo.
O vale do Zêzere pode ser apreciado a partir de miradouros no alto ou explorado mais lentamente a pé. A paisagem circundante muda drasticamente com as estações do ano, passando da neve e das montanhas nuas no inverno para encostas verdes e condições mais amenas para caminhadas na primavera e no verão.
Manteigas constitui uma excelente base e tem a vantagem de parecer um local onde as pessoas realmente vivem, em vez de um resort de montanha construído propositadamente.
As praias de Portugal podem receber o orçamento publicitário. A sua paisagem glaciar merece um pouco mais de atenção.
3. Praia Fluvial do Alamal, Gavião
Ideal para: Nadar ao pé de um castelo
No Alamal, até mesmo deitado na praia tem-se vista para um castelo.
Esta praia fluvial situa-se na margem esquerda do Tejo, perto de Gavião, com o Castelo medieval de Belver a erguer-se imponente na encosta oposta. A água, a vegetação circundante e o castelo no alto criam um cenário que parece muito distante das praias atlânticas mais conhecidas de Portugal.
Nadar é apenas parte do encanto. Um passadiço de madeira acompanha o Tejo ao longo de cerca de três quilómetros entre o Alamal e a ponte de Belver, proporcionando um passeio ribeirinho fácil com vistas sobre o rio. Os caminhantes mais ambiciosos podem prosseguir pela rota circular das Arribas do Tejo, com 16 quilómetros.
Créditos: Wikipédia;
No verão, Alamal dispõe das comodidades que se esperam de uma praia fluvial, sem perder a sensação de estar rodeado pela natureza.
Traga um fato de banho, passeie pelo passadiço e admire o Castelo de Belver do outro lado do rio.
É difícil imaginar uma piscina municipal a fazer frente a isto.
4. Rio de Onor, Trás-os-Montes
Ideal para: Vida rural na fronteira
No Rio de Onor, a fronteira entre Portugal e Espanha atravessa diretamente a comunidade.
Do lado português fica o Rio de Onor. Ao atravessar para Espanha, passa-se para Rihonor de Castilla. No entanto, há várias gerações que os habitantes de ambos os lados partilham muito mais do que uma fronteira, com tradições de agricultura comunitária e vida rural que contribuem para conferir à localidade a sua identidade distintiva.
A aldeia portuguesa situa-se no Parque Natural de Montesinho, rodeada pela paisagem acidentada do nordeste de Portugal. Casas de pedra com telhados de ardósia aglomeram-se ao longo do rio, atravessado por pequenas pontes, enquanto campos e colinas arborizadas se erguem à sua volta.
Créditos: Wikipédia;
Este é um daqueles locais onde chegar com uma lista de coisas a ver acaba por não fazer sentido. Caminhe ao longo do rio, explore as ruelas de pedra e aprecie uma parte de Portugal que parece geograficamente e culturalmente distante da costa.
E lembre-se de que isto não é um museu ao ar livre. Rio de Onor continua a ser uma aldeia viva.
Talvez seja precisamente por isso que se sinta tão especial.
5. Fajão, Serra do Açor
Ideal para: Uma aldeia de montanha com personalidade
Fajão situa-se ao pé de grandes falésias de quartzito na Serra do Açor, rodeado por uma paisagem que parece consideravelmente mais espetacular do que a modesta dimensão da aldeia poderia sugerir.
A água está por todo o lado. A antiga fonte ainda jorra no centro, enquanto o curso superior do rio Ceira oferece locais naturais e cristalinos para nadar nas proximidades. Para os alpinistas, as rochas imponentes que rodeiam Fajão constituem mais um motivo para visitar a aldeia. A partir de altitudes que se aproximam dos 900 metros, as vistas estendem-se pela paisagem da Beira.
A própria aldeia faz parte da rede portuguesa das Aldeias do Xisto, embora aqui a atração não se resuma apenas às casas de pedra fotogénicas. Há um forte sentido da cultura montanhosa que se desenvolveu nestas comunidades relativamente isoladas.
Créditos: Wikipédia;
Visite o Museu Monsenhor Nunes Pereira, passeie pelas ruelas e, depois, encontre um sítio para comer.
Fajão encaixa particularmente bem numa viagem mais descontraída pelo centro de Portugal, ligando cascatas, praias fluviais e outras aldeias de xisto.
É o tipo de lugar que não se planeia necessariamente como ponto central de umas férias em Portugal, mas de que se pode lembrar muito tempo depois de ter partido.
6. Penedo Furado, Vila de Rei
Ideal para: Um mergulho de verão
O interior de Portugal fica extremamente quente no verão. O Penedo Furado oferece uma excelente solução.
Perto de Vila de Rei, no centro de Portugal, esta zona ribeirinha combina águas pouco profundas, um entorno arborizado, formações rochosas e uma sucessão de pequenas cascatas acessíveis através de um trilho que percorre a paisagem.
É particularmente adequado para famílias, uma vez que a principal zona balnear é relativamente abrigada, embora, tal como em qualquer local de banho natural, as condições devam ser sempre verificadas no local.
O nome traduz-se aproximadamente como «rocha perfurada», e os miradouros ao redor do local oferecem vistas sobre uma paisagem surpreendentemente acidentada. Os percursos pedestres permitem ir além da zona de banhos e descobrir as cascatas e formações rochosas nas proximidades.
Créditos: Wikipédia;
Não se trata de uma zona selvagem por descobrir. As famílias portuguesas conhecem bem o Penedo Furado, especialmente durante o pico do verão.
Os visitantes internacionais, no entanto, passam frequentemente de carro por locais como este, no seu trajeto entre Lisboa e o Porto.
Eles é que perdem. Numa tarde a 35 °C, uma piscina natural à sombra no centro de Portugal parece, de repente, uma ideia extremamente boa.
Todas as recomendações contidas neste artigo baseiam-se na opinião editorial de especialistas. Se clicar numa ligação nesta reportagem, receberemos uma comissão de afiliados
7. Cerdeira, Serra da Lousã
Ideal para: Arte nas montanhas
Cerdeira esteve à beira do desaparecimento.
Hoje, esta pequena aldeia de xisto aninhada na Serra da Lousã encontrou uma segunda vida através da arte, do artesanato e de uma restauração cuidadosa.
As suas casas erguem-se quase verticalmente ao longo de uma encosta íngreme, construídas em xisto escuro que parece fundir-se com a montanha. Um ribeiro corre mais abaixo, enquanto as florestas rodeiam o punhado de edifícios. A aldeia faz parte da rede das Aldeias do Xisto e da área Natura 2000 da Serra da Lousã.
O que torna Cerdeira particularmente interessante é o que aconteceu depois de o despovoamento ter ameaçado o seu futuro. Artistas e artesãos tornaram-se fundamentais para o seu renascimento e, hoje, existem ateliês, uma Escola de Artes e Ofícios, oficinas criativas e residências artísticas.
Créditos: Wikipédia;
Isso confere à Cerdeira uma personalidade diferente da de muitas aldeias históricas restauradas. Não dá a sensação de estar preservada em aspico.
Venha passear, fique alojado numa das casas restauradas ou participe numa oficina.
E fique atento à estrada que dá acesso à aldeia. Os veados também são visitantes frequentes.
8. Aldeia das Dez, Serra do Açor
Ideal para: Uma varanda com vista sobre o centro de Portugal
A Aldeia das Dez ganhou a alcunha de «aldeia dos miradouros» e, assim que lá chegar, não será difícil perceber porquê.
A aldeia situa-se a cerca de 500 metros de altitude, na encosta norte da Serra do Colcurinho, com vista para uma paisagem de montanhas e vales fluviais. Do miradouro do Penedo da Saudade, é possível avistar a confluência dos rios Alvôco e Alva, na Ponte das Três Entradas.
Mas a Aldeia das Dez merece mais do que uma fotografia rápida.
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Casas de pedra, ruelas estreitas, fontes e pequenos detalhes arquitetónicos revelam uma aldeia moldada pelo seu enquadramento montanhoso. A área circundante é ideal para passeios a pé, com praias fluviais que constituem uma recompensa durante os meses mais quentes.
É também um ponto de partida ideal para explorar uma parte do centro de Portugal que continua surpreendentemente ignorada pelos visitantes estrangeiros, incluindo a Serra do Açor e as comunidades vizinhas de xisto.
Aqui não há nenhuma atração de grande sucesso.
Em vez disso, há montanhas que se estendem em camadas até ao horizonte e a sensação distinta de que se entrou na varanda privada de alguém sobre o centro de Portugal.
9. Praia Fluvial de Monsaraz, Alqueva
Ideal para: Um dia de praia no Alentejo
Uma praia no Alentejo parece um pouco contraditória até se ver o Alqueva.
Este enorme reservatório transformou esta paisagem do interior, criando extensões de água tão amplas que algumas partes parecem quase costeiras. A Praia Fluvial de Monsaraz situa-se no Centro Náutico de Monsaraz, com áreas de areia e relva, zonas de banho, desportos aquáticos, uma área de piquenique e instalações para famílias.
É o cenário que a torna especial.
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Acima da água ergue-se a medieval Monsaraz, uma das mais belas vilas fortificadas do Alentejo. Passe a manhã a passear pelas suas ruas caiadas de branco e pelas muralhas do castelo e, depois, desça a colina para dar um mergulho quando a temperatura subir.
Fique até ao fim da tarde, se puder. A região do Alqueva é conhecida pelos seus céus escuros e, assim que o intenso sol alentejano desaparece, as estrelas tomam conta do céu.
Já não é a praia mais secreta de Portugal.
Mas, comparada com a dificuldade de encontrar espaço para estender a toalha na costa do Algarve em agosto, pode parecer incrivelmente próxima.








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