Com cerca de 560 quilómetros de norte a sul em linha reta, é tentador imaginar que se consegue ver a maior parte do país numa semana. Tecnicamente, talvez. Mas Portugal tem o hábito irritante de colocar algo que vale a pena parar para ver em praticamente cada esquina.

O percurso, com a duração de 12 dias, começa na região do Porto, entre os edifícios revestidos de azulejos e as caves de vinho do Porto, e segue depois para sul, passando pelos canais de Aveiro, pela antiga universidade de Coimbra e pela Serra da Estrela, antes de chegar a Lisboa; daí segue por entre as vilas medievais, a costa atlântica e as planícies do Alentejo, até terminar nas praias e ilhas do Algarve.

Não é uma viagem de carro para quem quer desfazer as malas uma vez e ficar no mesmo sítio. Há estradas de montanha, desvios e várias manhãs em que terá de voltar a carregar o carro. Mas é também essa a ideia.

Portugal muda de forma notável à medida que se viaja pelo país. O granito e as colinas verdes do norte dão lugar às montanhas do centro, às ruas de azulejos de Lisboa, aos sobreiros do Alentejo e, finalmente, às vilas caiadas de branco e às falésias douradas do sul.

Doze dias não bastam para ver tudo. No entanto, vão fazer com que queira voltar.

Dias 1–2: Porto

Ideal para: Começar com ambiente

Reserve dois dias para o Porto antes de percorrer longas distâncias.

Comece no centro histórico, descendo a pé em direção à Ribeira e ao Douro, depois atravesse a Ponte Dom Luís I até Vila Nova de Gaia para apreciar a vista clássica de volta para a cidade. O centro histórico do Porto está classificado pela UNESCO, e este é um local onde perder-se um pouco entre as ruelas íngremes faz parte da experiência.

A estação de São Bento merece uma paragem pelos seus azulejos, enquanto a Livraria Lello ocupa o seu característico edifício neogótico desde 1906.

Depois, há o vinho do Porto. As históricas caves situam-se do outro lado do rio, em Gaia, tornando uma degustação o final óbvio da tarde.

No segundo dia, siga mais para oeste em direção à Foz do Douro, onde o rio finalmente desagua no Atlântico. É uma introdução mais suave antes da viagem de amanhã para sul.

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Dia 3: Aveiro e Costa Nova

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Ideal para: canais, cores e algo doce

A menos de uma hora a sul do Porto, Aveiro é uma primeira paragem fácil.

A cidade é atravessada por canais onde os moliceiros, pintados com cores vivas e originalmente utilizados para recolher algas e ervas marinhas da lagoa, transportam agora os visitantes pela cidade. Edifícios em estilo Art Nouveau alinham-se ao longo de partes dos canais, e este é também o local ideal para provar os ovos moles, a famosa sobremesa de Aveiro à base de gema de ovo.

Depois, siga de carro em direção à costa.

A Costa Nova é imediatamente reconhecível pelos seus palheiros às riscas. Originalmente abrigos práticos de madeira utilizados pelos pescadores, muitos foram posteriormente transformados em casas de férias coloridas, à medida que os banhos de mar se tornaram moda.

Dê um passeio pela praia antes de prosseguir em direção a Coimbra. É um dia de viagem relativamente curto, o que poderá vir a apreciar mais tarde.

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Dia 4: Coimbra

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Ideal para: História com um toque estudantil

Coimbra já foi a capital de Portugal, mas a sua universidade tem moldado a cidade há muito mais tempo.

Fundada em 1290, a Universidade de Coimbra está entre as mais antigas da Europa e faz parte de um local classificado como Património Mundial pela UNESCO. Os seus edifícios históricos ocupam um antigo palácio real, no alto, sobre o rio Mondego.

A Biblioteca Joanina é o ponto alto da visita, com estantes douradas que contêm volumes com séculos de idade, mas reserve tempo para passear também pela baixa da cidade velha. O Mosteiro de Santa Cruz alberga o túmulo do primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques.

Coimbra tem um ambiente diferente quando os estudantes estão por perto. As tradições académicas, as capas pretas e o estilo característico de fadoda cidade continuam a fazerparte da sua identidade, em vez de serem simplesmente algo recriado para os visitantes.

Passe a noite aqui, porque amanhã a estrada leva-nos para o coração das montanhas.

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Dia 5: Serra da Estrela

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Ideal para: Trocar as cidades pelas montanhas

É na estrada que conduz à Serra da Estrela que esta viagem muda de caráter.

A cordilheira mais alta do continente português atinge os 1 993 metros na Torre e apresenta paisagens esculpidas por glaciares antigos, incluindo o grande Vale do Zêzere.

Não considere Torre como o único objetivo. A própria viagem faz parte do dia, passando por enormes rochas de granito, aldeias de montanha e miradouros que parecem muito distantes da costa portuguesa.

Manteigas é uma boa paragem para explorar o Vale do Zêzere, enquanto o queijo da Serra da Estrela é consideravelmente mais gratificante do que mais uma sanduíche numa área de serviço da autoestrada.

O tempo é importante aqui. As condições nas montanhas podem mudar rapidamente, especialmente fora do verão, por isso verifique as condições meteorológicas antes de escolher o seu percurso.

Passe a noite nas montanhas ou nas suas imediações e, na manhã seguinte, siga em direção a Lisboa.

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Dias 6–7: Lisboa e Sintra

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Ideal para: A maior mudança de ritmo

Depois das montanhas, Lisboa parece quase agressivamente animada.

Reserve um dia inteiro para a capital. Passeie por Alfama, Baixa e Chiado, apanhe um elétrico se as filas não forem absurdas e suba a um dos miradouros antes do jantar. Belém merece uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos, aos monumentos ribeirinhos e ao inevitável pastel de nata.

O sétimo dia é dedicado a Sintra.

A paisagem cultural classificada pela UNESCO reúne colinas arborizadas, palácios extravagantes e séculos de história real. O Palácio da Pena é o destaque mais colorido, mas a Quinta da Regaleira, o Castelo dos Mouros e Monserrate tornam difícil escolher apenas um.

Sintra é também extremamente popular, por isso reserve as atrações com horário marcado com antecedência e comece cedo.

Poderia facilmente passar vários dias em Lisboa e em Sintra. Nesta viagem de carro, terá de aceitar deixar algo para a próxima vez.

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Dia 8: Óbidos e Nazaré

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Ideal para: Muralhas medievais e o espetáculo do Atlântico

Este é um dia dedicado a duas cidades portuguesas muito diferentes.

Primeiro, Óbidos. Cercada por muralhas medievais, as suas casas caiadas de branco e ruas estreitas situam-se ao pé de um castelo notavelmente bem preservado. O rei D. Dinis, como é sabido, ofereceu a cidade à rainha Isabel no século XIII, dando início à sua longa ligação com as rainhas de Portugal.

Passeie pelas ruelas, prove uma ginjinha e, em seguida, siga para a costa.

A Nazaré troca o romantismo medieval pela energia bruta do Atlântico. A vila piscatória manteve tradições, incluindo o seu famoso traje de sete saias, enquanto a Praia do Norte a transformou no centro internacional do surf de ondas gigantes.

Apanhe o funicular para o Sítio para apreciar a vista sobre a praia principal.

No inverno, verifique a previsão das ondas. Ver as ondas gigantes da Nazaré é extraordinário, mas nunca é garantido.

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Dia 9: Alentejo

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Ideal para: Abrandar o ritmo

Após oito dias de visitas turísticas, o Alentejo oferece um momento para respirar.

Dirija-se a Évora, cujo templo romano, catedral e ruas históricas fazem dela o centro cultural da região. Mas não passe o dia inteiro na cidade. O Alentejo revela-se no seu melhor quando o percorre de carro.

Sobreiros, olivais e vinhas estendem-se até ao horizonte, interrompidos por aldeias caiadas de branco e colinas fortificadas. Se o percurso o permitir, continue em direção a Monsaraz, uma aldeia medieval fortificada com vista para o Lago de Alqueva. O seu castelo do século XII ergue-se sobre um dos mais belos panoramas da região.

Este é também o dia ideal para um autêntico almoço alentejano, em vez de comer em movimento.

As estradas estão mais tranquilas, as distâncias parecem maiores e, de repente, Portugal parece ter ganho um céu imenso.

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Dias 10–11: Algarve

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Ideal para: Chegar finalmente à praia

No décimo dia, já mereces o Atlântico.

Se possível, entre no Algarve pelo oeste e faça de Lagos a sua primeira base. A cidade velha é suficientemente compacta para ser explorada a pé, enquanto a vizinha Ponta da Piedade oferece as falésias, os arcos e as águas de um azul intenso que se tornaram a imagem de marca da região.

O décimo primeiro dia pode ser dedicado ao Algarve central. A costa calcária em torno de Carvoeiro e Benagil é espetacular tanto da terra como do mar, com trilhos pedestres que seguem as falésias acima das praias e das grutas marinhas.

Mas resista à tentação de visitar todas as praias famosas.

A recompensa nesta fase de uma viagem de carro de norte a sul deve ser fazer um pouco menos. Escolha uma praia, peça o almoço num local com vista para o mar e lembre-se de que, tecnicamente, está de férias.

Guarde uma última mudança de cenário para amanhã.

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Dia 12: Algarve Oriental

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Ideal para: Terminar num local mais tranquilo

Não termine com as famosas falésias do Algarve, mas sim com um litoral completamente diferente.

Nos arredores de Faro, Olhão e Tavira, a Ria Formosa forma um vasto sistema de lagoas, salinas, canais de maré e ilhas-barreira que se estende ao longo do Algarve Oriental. Os barcos atravessam a lagoa em direção a longas ilhas arenosas, onde o Atlântico espera do outro lado.

Tavira é uma paragem final particularmente encantadora. O rio Gilão atravessa o seu centro histórico por baixo de uma ponte antiga, com casas caiadas de branco, torres de igrejas e telhados de terracota em ambas as margens.

A partir daqui, a fronteira espanhola fica a menos de uma hora de distância.

Mas após 12 dias, centenas de quilómetros, montanhas, castelos, cidades, vinhas e uma quantidade exagerada de doces, talvez seja aqui que deve parar.

Encontre uma mesa junto à água e dê um descanso ao carro.

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Algumas coisas a saber antes de pegar na estrada

As autoestradas de Portugal facilitam relativamente a percorrer longas distâncias, mas este percurso é muito melhor quando se sai delas. Reserve mais tempo do que o sugerido pelo GPS para a Serra da Estrela e o Alentejo rural, e não presuma que todas as estradas panorâmicas sejam rápidas.

Portugal também tem tanto portagens convencionais como estradas com portagem exclusivamente eletrónica, pelo que quem alugar um carro deve verificar como a empresa de aluguer lida com os pagamentos eletrónicos de portagem antes de partir.

O estacionamento é outra razão para não ter o carro sempre ao seu lado. Especialmente no Porto e em Lisboa, estacione uma vez e explore a pé ou de transportes públicos. Sintra também fica muito mais fácil quando os transportes e as reservas para as atrações são planeados com antecedência.

Mais importante ainda, não fiquem obcecados em seguir o itinerário exatamente como está escrito. Uma viagem de carro por Portugal corre melhor quando algo que não estavam a planear ver vos faz encostar.

É normalmente aí que começa a parte boa.