Desde 1983, a Garvetur tem acompanhado vários ciclos no mercado imobiliário português. Estará o Algarve a atravessar atualmente um novo ciclo de crescimento, ou o mercado está a começar a dar sinais de sobreaquecimento?

Considero que o ciclo atual no mercado imobiliário português se caracteriza por uma segmentação da procura, embora a tendência geral revele sinais de estabilização dos preços. No entanto, é necessário prestar maior atenção à escassez estrutural da oferta, de modo a equilibrá-la com as necessidades reais das famílias.

Embora os analistas apresentem interpretações diferentes, todos excluem a possibilidade de uma bolha, e os números apontam para um arrefecimento gradual do mercado.

A região é muito procurada por compradores nacionais e internacionais, mas está a tornar-se cada vez mais inacessível para quem lá vive. Como se pode resolver este paradoxo?

As grandes cidades e o Algarve, devido ao forte poder de compra de investidores estrangeiros, fundos de investimento e residentes não habituais, são um exemplo clássico da necessidade de medidas que permitam aos promotores imobiliários aumentar a oferta de habitação destinada às famílias.

Na minha opinião, só será possível acelerar o ritmo de construção através de intervenções destinadas a reduzir a burocracia nos procedimentos municipais de planeamento e licenciamento e a facilitar o recrutamento de mão-de-obra, a par de medidas de apoio que permitam às empresas fazer face aos custos crescentes da construção, para que as habitações possam ser construídas ao ritmo de que o país necessita.

Quem está a comprar imóveis no Algarve atualmente? O perfil do comprador mudou? E quais são as nacionalidades que estão a ganhar maior destaque?

De facto, verificou-se uma transformação no perfil dos compradores. No entanto, a Garvetur conseguiu antecipar esta mudança — que indica que os interesses variam consoante as regiões do país —, promovendo o crescimento sustentado dos seus escritórios em todo o país.

O nosso perfil de clientes aponta, portanto, para uma maior diversificação entre as nacionalidades dos investidores imobiliários em Portugal, com o país a continuar a consolidar a sua posição como um dos destinos mais atraentes da Europa.

No Algarve, o investimento estrangeiro é impulsionado, em particular, por compradores do Reino Unido e da Irlanda, mas também da Alemanha, da Bélgica e dos Países Baixos.

Créditos: Imagem cedida; Autor: Garvetur;

O Algarve tem sido tradicionalmente fortemente associado a segundas residências e ao investimento turístico. Existe atualmente uma tendência para a utilização de imóveis como residências permanentes?

O conceito de casas de férias evoluiu no sentido de habitação permanente ou semipermanente, impulsionado tanto por uma maior flexibilidade nos regimes de trabalho como pela procura de uma reforma em que a qualidade de vida é um fator decisivo.

Até que ponto os preços imobiliários na região podem ainda subir sem afastar a procura?

Num setor dinâmico como o imobiliário, que depende tanto de fatores objetivos, como a disponibilidade de ativos, como de considerações mais subjetivas, a localização e a qualidade das comodidades continuam a ser de importância primordial. A região já oferece um valor intrínseco consolidado e atrai diferentes perfis de compradores, seja pela sua qualidade de vida, pelo ambiente natural, pelo património, pela cultura local ou pela excelente gastronomia.

Existe também um potencial significativo de valorização do capital. É esta diversidade que torna o mercado do Algarve um dos mais resilientes de Portugal, sem perder o seu apelo junto dos investidores.

Os investidores continuam a ver a região como uma aposta segura, ou estão a tornar-se mais cautelosos em relação aos preços de entrada no mercado imobiliário?

Os nossos dados indicam que a procura internacional está a tornar-se cada vez mais diversificada e que Portugal continua a consolidar a sua posição como um dos destinos residenciais e de investimento mais competitivos da Europa. Não estamos a assistir a um recuo do investimento, mas sim a uma maior seletividade e a expectativas mais elevadas por parte dos clientes investidores.

A falta de oferta continua a ser identificada como um dos principais problemas do mercado português. O que é que está atualmente a travar a construção de novas habitações no Algarve: terrenos, licenciamento, custos ou a falta de viabilidade dos projetos?

A falta de viabilidade dos projetos não é, certamente, um dos principais problemas na região do Algarve. As limitações que afetam o Algarve são comuns a outras partes do país. Reitero que a escassez estrutural de oferta só pode ser resolvida através da redução da burocracia, da simplificação do recrutamento de mão-de-obra e da implementação de uma política fiscal mais favorável, para ajudar as empresas a fazer face aos custos crescentes da construção.

Há quem defenda que o Algarve corre o risco de se tornar um local onde é mais fácil investir e passar férias do que viver. Como é que este cenário pode ser evitado?

Para construir habitações ao ritmo de que o país necessita, e não apenas no Algarve, são necessárias novas políticas de habitação, a par de uma maior cooperação entre o governo central e as autarquias e de uma forte parceria entre os setores público e privado.

A dimensão do problema não permite mais atrasos. Tomando o Algarve como exemplo, diria que o desenvolvimento do turismo não é possível sem habitação para a mão-de-obra qualificada de que o setor necessita.

Créditos: Imagem cedida; Autor: Garvetur;

A Garvetur não é apenas uma agência imobiliária: posiciona-se como uma empresa capaz de apoiar todo o ciclo de investimento. Como está o negócio a evoluir e quais são os serviços atualmente mais procurados?

O principal interesse para os nossos clientes reside nas sinergias e no know-how do Grupo Enolagest, a holding da qual a Garvetur é a empresa âncora, com 42 empresas afiliadas. As palavras-chave que definem a nossa atividade são integridade, empenho e profissionalismo.

A nossa missão é garantir, através de uma gama abrangente de serviços, a satisfação dos investidores, proprietários e clientes. Por isso, apostamos no trabalho em equipa e procuramos continuamente melhorar a eficiência da organização e a inovação dos nossos serviços.

Quais são as principais prioridades da Garvetur para os próximos cinco anos?

O Grupo Enolagest oferece um modelo de serviço único em Portugal, criando sinergias entre as 42 empresas que integram a holding, o que permite garantir a satisfação dos clientes e o reconhecimento profissional entre parceiros e fornecedores.

A Garvetur, com sede em Vilamoura, dispõe atualmente de escritórios em Lisboa, Porto, Santa Maria da Feira, Leiria, Guimarães e Fundão, bem como na maioria das cidades e vilas do Algarve.

A nossa prioridade é manter um crescimento sustentado e antecipar os serviços de que os nossos clientes irão necessitar, consolidando a nossa posição como referência no seio do Grupo Enolagest, tanto a nível nacional como internacional.

Contacte-nos através do número 00351 289 322 488 ou do endereço info@garvetur.pt