Depois de anos a discutir procura, preços e incentivos, começa finalmente a ganhar espaço outra questão: como podemos produzir habitação de forma mais rápida, eficiente e previsível?
A industrialização da construção é uma das respostas possíveis. O WMarket Review Mid-year 2026, da WORX, identifica a construção modular como uma oportunidade relevante para o mercado residencial e considera que, conjugada com outras transformações, poderá ter um impacto significativo no imobiliário português. A necessidade é evidente: apesar de as transações de apartamentos terem recuado 7% na Área Metropolitana de Lisboa e 10% na do Porto no primeiro semestre de 2026, os preços médios aumentaram, respetivamente, 19% e 15%. A procura continua a encontrar uma oferta insuficiente.
Há vários anos que defendo que Portugal terá inevitavelmente de industrializar uma parte maior da construção. Não se trata apenas de construir módulos numa fábrica. Trata-se de introduzir processos industriais num setor onde continuam a existir níveis elevados de fragmentação, dependência de mão de obra, desperdício e imprevisibilidade. Pré-fabricação, normalização, produção off-site, digitalização e maior integração entre projeto e execução podem permitir construir com maior rapidez e melhor controlo de custos e qualidade.
Mas existe um problema que a industrialização, por si só, não consegue resolver. Uma obra pode passar a demorar muito menos tempo e a habitação continuar a levar anos a chegar ao mercado. Antes de começar a construção existem decisões sobre solo, planeamento, projetos, licenciamentos, especialidades, infraestruturas e financiamento. Se esta cadeia continuar lenta, teremos aumentado a produtividade da obra sem aumentar suficientemente a produtividade do sistema.
É por isso que a discussão sobre industrialização deve ir além da tecnologia construtiva. Portugal precisa de pensar na produção de habitação como um processo completo. Não faz sentido desenvolver métodos capazes de reduzir significativamente os prazos de construção se continuarmos a aceitar que as fases anteriores consumam uma parte desproporcionada do tempo necessário para colocar uma casa no mercado.
Também será necessário criar escala. A construção industrializada exige investimento em fábricas, tecnologia, engenharia, formação e capacidade produtiva. Para esse investimento acontecer, as empresas precisam de previsibilidade e de uma carteira suficientemente estável de projetos. Um mercado caracterizado por processos longos e incertos torna mais difícil justificar precisamente o investimento industrial que poderia aumentar a produtividade do setor.
A tecnologia existe e continuará a evoluir. O capital também poderá surgir se houver condições para desenvolver projetos em escala. O verdadeiro desafio será conseguir que administração pública, planeamento, licenciamento, financiamento e construção avancem a velocidades compatíveis.
Portugal precisa de construir mais casas, mas precisa sobretudo de aprender a produzi-las melhor. Industrializar a construção pode reduzir significativamente o tempo da obra. Para reduzir o tempo que uma casa demora a chegar ao mercado, teremos de industrializar também a forma como pensamos e executamos todo o processo.









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