Quatro anos depois, dividiram-nos entre aqueles que tinham continuado a jogar e aqueles que tinham desistido. As pessoas que persistiram mantiveram a memória verbal — e até a matéria cinzenta numa parte do cérebro ligada ao movimento e à aprendizagem — que os que desistiram tinham perdido.

O mais bonito é o que o estudo não exigiu. Ninguém tinha de ser bom. Não havia exame, nem recital, nem público. Apenas tocar de forma normal e regular — pelo simples prazer de tocar —, o que se traduzia numa memória com um aspeto mais jovem. «Nunca é tarde demais para começar a tocar um instrumento», afirmou o investigador principal, «e começar na velhice pode trazer benefícios significativos.»

Quero ser honesto sobre o que isto significa: as pessoas que mantiveram um passatempo diferem das que o abandonaram, por isso não podemos dizer que foi apenas a música que fez tudo isto, e ninguém está a afirmar que previne a demência. Mas, em termos de vantagens, é uma boa opção. Começa a tocar ukulele, piano ou a flauta de lata que está na gaveta, simplesmente porque é divertido — e a tua memória pode acabar por fazer um pouco de exercício extra pelo caminho.

Dez minutos já contam. Uma música já conta. Até mesmo encontrar a mesma nota errada todas as tardes provavelmente conta como prática.

Por isso, considera isto o teu incentivo para fazeres um som alegre. Não importa se for mal. Afinal, mesmo mal, ainda conta.